sexta-feira, 9 de maio de 2014

Afinal precisamos ter fé?

A pergunta do título poderá, sem dúvida, ser formulada do seguinte modo: a fé é uma determinada atitude dos humanos. Como tal, é bem começar por uma descrição breve das caraterísticas dessa atitude, que aliás são partilhadas por todos os tipos de fé, religiosa ou não, cristã ou não. Há algum tempo, quando católicos e luteranos assinaram uma importante declaração de aproximação a respeito de fé e obras, o debate se reacendeu. Há, nas duas facções, os que acreditam que a justificação vem exclusivamente pela fé e outro no valor das obras. Igualmente, há entre católicos e luteranos, quem julgue que a salvação ocorre através das boas obras, da caridade, etc. Que fé é esta? O que são “obras”? Existe, ainda, quem busque uma forma mista: fé e obras. Quem está certo? Onde está a razão? Nesses cinco séculos, houve como que uma “guerra santa” entre os dois grandes blocos cristãos que, convenhamos, não levou a nada. Hoje parece que há uma luz, embora tênue, a dar esperanças de uma aproximação. O que salva, efetivamente, a fé ou as obras? Entendo que a questão é mais semântica do que doutrinária. Se é verdade que a fé justifica e salva, também é verdade que não se admite uma fé estática, que não se traduz em gestos de partilha, acolhida e perdão, perfilados ao “mandamento novo”. A fé coerente é aquela que organiza a ação. A atitude humana que melhor pode descrever a atitude de fé é a da confiança. Ter fé é, no sentido mais básico, confiar em algo ou alguém diferente de nós mesmos. Assim, opõem-se-lhe duas atitudes: a da desconfiança total, que levaria, em muitos casos, ao desespero; ou a da autoconfiança total, ou seja, a da confiança apenas em nós mesmos. Portanto, a fé pressupõe capacidade de confiar e capacidade de confiar noutros. Ter fé é crer firmemente em algo, sem ter em mãos nenhuma evidência de que seja verdadeiro ou real o objeto da crença. Este termo vem do grego pi.stis, traduzido por confiança, firme convencimento. Assim, a palavra fé pode ser entendida como acreditar, confiar. A fé não demanda provas materiais, pode surgir sem nenhum motivo aparente, estar ligada a razões ideológicas, emocionais, religiosas, ou a outra razão qualquer. No contexto religioso, a fé é uma virtude daqueles que aceitam como verdade absoluta os princípios difundidos por sua religião. Ter fé em Deus é acreditar na sua existência e na sua onisciência. A fé é também sinônimo de religião ou culto. Por exemplo, quando falamos da fé cristã ou da fé islâmica. As experiências de cada um, intransferíveis e totalmente pessoais, dão origem a esta energia ou sentimento, ou como se queira definir a fé. Ela pode ser dividida com as pessoas à nossa volta na forma de narrativas históricas ou obras de arte, e até mesmo sob o aspecto de depoimentos espirituais, de vivência interior. Todos nós, segundo pesquisadores, temos no nosso íntimo, em estado latente, o poder da fé, ou seja, de tornar real tudo que desejamos alcançar, através do exercício contínuo da vontade determinada, contumaz, focada nos objetivos que almejamos concretizar. Atualmente, a literatura de auto-ajuda aposta justamente nesse potencial humano, na capacidade de alcançarmos tudo aquilo que aspiramos, por meio da exploração de condições ainda pouco conhecidas de nossa mente, entre elas a fé, mas que estão certamente presentes em cada indivíduo. Fé é uma palavra com origem no Latim "fides" que significa "confiança", "crença", "credibilidade". A fé é um sentimento de total crença em algo ou alguém, ainda que não haja nenhum tipo de evidência que comprove a veracidade da proposição em causa. É uma atitude contrária à dúvida e está intimamente ligada à confiança. Em algumas situações, como problemas emocionais ou físicos, ter fé significa ter esperança de algo vai mudar de forma positiva, para melhor. O melhor conceito cientifico de fé em todo o mundo está justamente na Bíblia, no livro de Hebreus 11:1. Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, Ou seja é a convicção do que não sabemos, nem podemos mostrar ou comprovar a sua existência. É a prova das coisas que não se vêem.. . Ou seja, como a existência do objeto de fé não pode ser vista, a própria fé se coloca no lugar da prova. Sendo assim se tal coisa existe ou não, e não pode ser provar, a fé basta como prova, ao menos para quem crê. É preciso descobrir e cada vez desenvolver mais um modo concreto de viver a fé Depois de falarmos em espiritualidade e na graça de Deus, torna-se imperioso estabelecer uma ligação delas com a fé. Os temas são indissociáveis. Se pela graça, Deus vem ao nosso encontro, amando-nos e adotando-nos como filhos, pela fé nós respondemos à sua graça, aderindo a seu projeto amoroso. Deste modo, a fé é nossa resposta aos dons de Deus. Nesse particular a fé é um mistério inefável, pois vê o invisível, espera o impossível e recebe o inacreditável. Nada é mais fantástico do que a fé. Quando me perguntam: a fé ou as obras?, Eu respondo: as duas! Primeiro a fé, e depois as obras dela decorrentes. Na verdadeira espiritualidade, fé e obras, são indissociáveis. Amar o próximo é praticar boas obras em nome da fé. Crer não é um sentimento, um mero acreditar, mas viver a fé e colocá-la em prática. Praticar obras não é exercer assistencialismo, mas transformar o mundo, não dando o peixe mas ensinando a pescar, praticando a caridade como meio de ensinar a autonomia ao individuo.

domingo, 25 de novembro de 2012

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O “Sagrado Matrimônio” e as Relações Humanas


Durante a vida escolhemos nossas paixões e amores, pautados muitas vezes em nosso desejo de resgatar no outro, o tão sonhado amor incondicional que se traduz na área da ilusão, como a mais pura e verdadeira forma de amar, o único e verdadeiro amor.

A primeira forma de amor que conhecemos é a forma de amor filial, o amor materno, talvez uma das mais belas formas de amar, e a única verdadeira. Trata-se da total disponibilidade, do amor incondicional. A mãe simplesmente ama seu filho, incluindo suas características boas e ruins; costumo dizer que a mãe ama o pacote completo. Seu amor, muitas vezes supera qualquer frustração e alcança a maior capacidade humana de perdoar que alguém pode sentir.

Lembremos que quando falamos da absoluta disponibilidade materna, nos referimos principalmente, aos primeiros meses de vida onde a ilusão da total onipotência vivida pelo bebê, é essencial para seu desenvolvimento emocional e tão necessária para viver a brecha entre a fantasia e a realidade. Neste tempo, amor é sinônimo de mistura,complementaridade e plena satisfação narcísea dos próprios desejos, para o bebê o outro existe apenas para ele, está a sua disposição, respira o ar que ele respira, ele e a mãe são um único ser, não há diferenciação ou limites claros.

O próximo passo para o desenvolvimento emocional é a vivência da frustração, a mãe totalmente disponível vai gradativamente e naturalmente frustrando o bebê na medida em que o bebê já tem condições de lidar com essa frustração. Este movimento materno (ou de quem faz esse papel), é extremamente importante para o bebê começar a diferenciar o que é ele e o que não faz parte dele (mãe) iniciando assim sua noção primária de existência e distanciamento.

Usando este momento do desenvolvimento emocional de todos nós como referência, podemos entender algumas formas de relação que continuam seguindo esse padrão, onde uma das partes por exemplo insiste em não acreditar que pode existir sem o outro; são os amores passionais onde mistura emocional e imaturidade afetiva ainda são entendidos ou traduzidos como amor.

Trazemos dentro de nós uma necessidade nata de completude que se torna preenchida num primeiro momento de nossa existência por esse amor materno. Varias pessoas em busca desse amor perfeito, muitas vezes se perdem quando acreditam que amor é sinônimo de anulação, quando confundem liberdade com desrespeito, intimidade com invasão, quando usam de chantagem emocional para suprir suas carências; e ainda quando deixam de viver seus outros papéis na vida: mulher, homem, profissional, filho, por exemplo, para ser exclusivamente em função do outro, tornando-se em vez parceiro ou parceira posse ou objeto do outro ou vice versa.

Algumas pessoas entendem o amor como algo quase mágico que mistura uma certa santidade /pureza com a total e plena devoção ao outro, e eu diria que estão presas ao mito do amor uterino. São relações que muitas vezes exigem um raio-X dos pensamentos e sentimentos, desejam, necessitam dos detalhes sobre os pensamentos e sentimentos do outro, um verdadeiro relatório contínuo e absoluto sem pulos, desvios ou mesmo titubeios sobre tudo que passa em sua mente, algo tão impossível racionalmente que geralmente só é confessado entre quatro paredes. Esse tipo de relação traz sofrimento e dor para ambos, parte de um entendimento equivocado onde amor é sinônimo de mistura e individualidade é sinônimo de desamor e traição.

O bebê só agüenta a frustração do afastamento momentâneo da mãe, quando tem dentro de si a segurança e a confiança de que ela não o abandonará e de que ele conseguirá sobreviver sem ela naquele momento.

Portanto, como nosso próprio desenvolvimento emocional nos ensina, o amor perfeito, ou melhor dizendo o amor saudável e equilibrado, recusa a auto-anulação, propõe a existência, a individualidade, o respeito ao outro, a solidariedade, o companheirismo, e a confiança mútua.

Metáfora das Mochilas


Recentemente ouvi uma metáfora sobre o comportamento humano muito interessante, era mais ou menos assim:

O ser humano caminha pelo mundo sempre em fila indiana. Carrega em sua jornada duas mochilas, uma na frente e uma em suas costas. Na da frente leva suas virtudes e qualidades e mantém seus olhos atentos a elas, na das costas leva seus defeitos e dificuldades. Carrega suas virtudes bem próximo ao peito, enquanto observa os defeitos e dificuldades do outro a sua frente, sem se dar conta que aquele que vem atrás, pensa o mesmo dele.

Este pequeno texto foi encaminhado por e-mail e o autor eu desconheço, mas achei que poderíamos a partir desta cena convidá-los a continuar desenvolvendo essa metáfora, sendo que talvez ela nos seja útil para entendermos alguns dos nossos comportamentos.

Essas mochilas fazem parte de nós. Durante nosso desenvolvimento emocional alimentamos nossas mochilas com nossos conhecimentos e desconhecimentos de nós mesmos. As confirmações e desconfirmações às quais somos submetidos todo o tempo, vão carregando-as, ora a da frente, ora a de trás. Elas são responsáveis, entre outras coisas, por nossa autopercepção, segurança interna e auto-estima que influenciam e moldam nossas propostas de relação.

Realmente trazemos dentro de nós esta difícil equação.
Como nos relacionarmos de forma positiva e saudável, sem enaltecermos demasiadamente as nossas qualidades negá-las ou envergonhar-se delas? A busca pela saúde emocional, nos leva a andar simplesmente, ora lado a lado, ora em nossa velha fila indiana, ora alternadamente, buscando relações simétricas e algumas vezes complementares, mas tentando olhar e aceitar nossas diferenças e similaridades que regem a intensidade do ser humano.

Quanto às dificuldades e defeitos, continuaremos a observá-los e a carrega-los, mesmo que andemos lado a lado. Precisamos de nossas mochilas traseiras para contrabalançar o peso que carregamos, mantendo nossas costas eretas e retas. Quando valorizamos demais nossas virtudes e nos cegamos aos nossos defeitos, tornamos nossa mochila da frente muito pesada o que obriga nosso corpo a dobrar-se para a frente e impede que vejamos com clareza nosso objetivo. Como conseqüência, passamos a observar e a valorizar atentamente cada pedra de nosso caminho, já que estamos totalmente inclinados e com nossa atenção voltada às pedras. Estas seriam comparadas aos sentimentos de inveja que atraímos para nós.

Se carregarmos demais nossa mochila das costas, exacerbando nossos defeitos e dificuldades, forçamo-nos a olhar para o céu, buscando um ideal, uma perfeição. Como resultado nos cegamos com o excesso de luz, perdendo o referencial de quem somos e do que é possível e desejado, e ficamos apenas com a lembrança de quem gostaríamos de não ser (nós mesmos). A insatisfação nos torna rígidos e exigentes, donos de uma autocrítica implacável e na maioria das vezes surge uma imensa solidão como resultado,.

Engana-se aquele que acredita que a saída está em negar a mochila das costas, pois não temos como descartá-la, ela faz parte de nós. Engana-se também quem acredita que a solução seja completar a mochila da frente, pois ela se tornará pesada demais e o resultado já conhecemos.

Talvez a saída esteja no entendimento que temos sobre o conteúdo de nossas mochilas, as duas faces de tudo, bom e mal intercalados e complementares. Aprender com nossos defeitos e dificuldades, conhecendo-os primeiramente, ou seja, passando-os da mochila de trás para a da frente, transformando-os em características e aceitando o seu lado positivo, é o movimento essencial do autoconhecimento. No começo pode tratar-se de uma jornada difícil, pois alguns passos parecem mais cansados e pesados, mas aprimorando nosso processo descobrimos que o que entendíamos como defeitos são velhos e conhecidos resultados presentes em muitos de nossa fila indiana.

E aí... Como se encontram as suas mochilas?

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A menina e o pássaro encantado


Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…
— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…
E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
— Tenho de ir — dizia.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…
— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…
— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…
— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.

* * *

Para o adulto que for ler esta história para uma criança:
Esta é uma história sobre a separação: quando duas pessoas que se amam têm de dizer adeus…
Depois do adeus, fica aquele vazio imenso: a saudade.
Tudo se enche com a presença de uma ausência.
Ah! Como seria bom se não houvesse despedidas…
Alguns chegam a pensar em trancar em gaiolas aqueles a quem amam. Para que sejam deles, para sempre… Para que não haja mais partidas…
Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce, preparam-se os abraços.
Esta história, eu não a inventei.
Fiquei triste, vendo a tristeza de uma criança que chorava uma despedida… E a história simplesmente apareceu dentro de mim, quase pronta.
Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir. Mas não é isso.
É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano.
Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos.
Claro que são para crianças.
Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão…

Bibliografia e Comentário
As mais belas histórias de Rubem Alves

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Você sabe PERDOAR ?


Ao se falar em perdão, é comum nos remetermos quase de imediato a uma leitura religiosa, ou seja, o perdão sendo visto como unilateral, entendido como algo que doamos a alguém, um ato de desprendimento, generosidade e bondade com o outro, mas é mais do que isso...

Quando estamos magoados e feridos, os sentimentos mais presentes são a tristeza, a decepção e a raiva. Neste momento é difícil se pensar em perdão. Primeiramente há o momento de viver a própria dor, senti-la para depois resolve-la. Muitos tentam pular essa fase inevitável e como conseqüência apenas prorrogam seu próprio sofrimento.

A raiva é o mais primário dos sentimentos, pois é gerada pela frustração e pelo sentimento de impotência. Dela nasce o desejo de vingança como uma tentativa de diminuir a própria dor, mas a vingança é um sentimento traiçoeiro, pois se alia a seu adversário no momento em que sua vida passa a ser apenas um instrumento com o objetivo de atingir ou prejudicar aquele que lhe feriu. Facilmente a vingança torna-se seu senhor e você seu escravo. Trata-se de um ciclo vicioso e aparentemente sem fim.

Também não podemos esquecer que algumas pessoas são muito mais susceptíveis a mágoas e melindres que outras, possuem limiares diferentes, variando de acordo com sua personalidade, capacidade de percepção, capacidade de tolerar frustrações, entendimento de mundo, sensibilidade, ou seja, de acordo com sua saúde emocional. Uma mesma vivência é sentida , percebida e compreendida de forma diferente até mesmo entre irmãos, que supostamente foram criados sob as mesmas variáveis, o que dirá entre pessoas que possuem crivos diferentes.

Desde o nascimento, somos seres carentes de relacionamentos, o ser humano precisa se relacionar para se desenvolver emocionalmente. A família é o berço do desenvolvimento emocional, costumo dizer que é nosso útero social, pois é através dela que recebemos essa carga de crenças, entendimentos e leituras sobre o mundo. Nossas relações passam pelo crivo dessas crenças, pela forma de entender o mundo que nos cerca e de nos perceber enquanto pessoas, nossos direitos e responsabilidades.

Estamos sempre construindo e reconstruindo nossas idéias, num ciclo dinâmico, que pode ser saudável ou não. É claro que essas crenças trazem todos os preconceitos e dificuldades relacionais de nossos ancestrais, afinal ninguém pode dar aquilo que não tem.

Cabe a nós em nossa jornada acessar nossas fontes de saúde que são nossa criatividade e espontaneidade. Elas nos ajudarão a tentar o novo, a perdoar,a reconstruir, a olhar de outra forma a mesma questão, e a nos fortalecer, nos impulsionando para novos movimentos e experiências.

Relacionar-se é fácil quando encontramos pessoas que pensam e percebem o mundo como nós, ou seja se utilizam do mesmo fóco para avaliar os acontecimentos, mas a grande questão é quando nos deparamos com pessoas que possuem outros parâmetros e valores, neste caso, para que a relação seja possível, é necessária uma carga a mais de respeito ao outro a suas idéias e a seu ponto de vista e obviamente de respeito pessoal.

Num processo de autoconhecimento nossa leitura é feita a partir de um entendimento relacional, como sabemos, toda ação gera uma reação. Quando tomamos consciência de nossa parcela de responsabilidade naquilo que nos acomete, temos a possibilidade de nos tornarmos senhores de nossas vidas, mais autênticos e não mais escravos, cegos e perdidos diante dos acontecimentos. Não nos tornamos vítimas nem tão pouco vilões, apenas humanos conscientes dos reflexos de nossas atitudes. A raiva não é negada ou sublimada ela é canalizada para movimentos positivos que podem trazer crescimento e desenvolvimento pessoal, ela é transformada em energia positiva provedora de mudança e transformação.

ENTÃO O QUE É PERDOAR? Perdoar é realmente um ato de amor mas, não apenas amor ao outro, mas também ,amor a si próprio. É assumir a responsabilidade sobre os próprios atos e desejos, é perceber-se na dimensão do humano e como tal entender a sua significância. Perdoar é amadurecer emocionalmente é aprender que somos falíveis e imperfeitos, tal qual o outro com quem nos relacionamos e essa é a genialidade do ser humano. Não existem os certos e os errados, existe o olhar a partir de um ponto de vista e cada um tem o seu, portanto não existe A verdade, existem verdades á partir de realidades diferentes. O parâmetro é o respeito, o sentimento de cidadania, a ética e o amor.

Você é uma pessoa tímida?


Chamamos de timidez ao desconforto diante de situações sociais, que pode, algumas vezes, atrapalhar o indivíduo na conquista de seus objetivos, sejam eles pessoais ou profissionais.

Na prática, todos somos afetados pela timidez em alguns momentos de nossas vidas, uma vez que ela funciona como um "regulador social" para evitar os excessos que transformariam nossa sociedade em um verdadeiro caos.

A timidez pode ser situacional ou crônica:

Timidez situacional: a inibição se manifesta em ocasiões específicas, e portanto o prejuízo é localizado. Por exemplo, a pessoa não experimenta dificuldades no amor, mas morre de medo de falar em público. A timidez situacional é a mais fácil de ser vencida, pois neste caso o indivíduo já possui mais habilidades sociais do que o tímido crônico, e grande parte do tratamento consistirá no aprimoramento das habilidades já existentes.

Timidez crônica: a pessoa experimenta dificuldades em praticamente todas as áreas do convívio social. Ela não consegue falar com estranhos, fazer amigos, paquerar, falar em público, enfim, o prejuízo é generalizado. Nesse caso é necessário um desenvolvimento completo dos recursos necessários para a interação com o mundo.

Quando a timidez se torna patológica passa a ser denominada fobia social. A timidez patológica ou fobia social tem todas as características da timidez crônica, porém é ainda mais intensa, fazendo com que a pessoa passe a evitar a maior parte das situações que exijam exposição social (comer em restaurantes, usar banheiros públicos, freqüentar piscinas) e quando submetida a tais situações apresente sintomas como tremores intensos, sudorese, taquicardia náuseas e desconforto abdominal.

Com o que não deve ser confundida

A timidez não deve ser confundida com:

Fobia social, pois ela acarreta maiores prejuízos à vida do indivíduo e seus sintomas são mais intensos e incapacitantes;

Antipatia, visto que quando a esfera da timidez é ultrapassada, e a situação de ansiedade é superada o indivíduo pode se mostrar muito afável;

Personalidade anti-social, pois a timidez incomoda o indivíduo justamente por ela afetar seu relacionamento com outras pessoas, o que é indiferente para uma pessoa anti-social.

Sintomas

Inibição e passividade;

Auto-Imagem negativa (pensamentos negativos sobre si mesmo e as situações);

Baixa auto-estima e autoconfiança

Medo de avaliação negativa e de parecer "bobo" diante dos outros;

Insegurança (medo de fracassar, de ser rejeitado e parecer ridículo);

Preocupação excessiva com as opiniões e julgamentos alheios;

Pouco contato visual, baixo volume de voz, rubor e gagueira;

Reduzida expressão corporal;

Dificuldade de se apresentar;

Necessidade constante de inventar desculpas e de recusar convites;

Sentimentos de vergonha, tristeza e solidão;

Conseqüências mais comuns

Dificuldade em fazer amigos, círculo social extremamente reduzido;

Dificuldade em arrumar parceiros amorosos, início tardio da vida amorosa;

Dificuldade em apresentar trabalhos no colégio, faculdade ou serviço;

Dificuldade em participar de reuniões e apresentar seu ponto de vista.

domingo, 10 de abril de 2011

Será que Deus leu Darwin?


Segue algumas colocações demonstrando que o texto de Gênesis, narrando a criação, não é incompatível com a Teoria da Evolução...

O Livro de Gênesis é atribuído a Moisés. Junto com os cinco primeiros livros da Bíblia forma a Tora; base para a religião judaica. Gênesis, datam os historiadores, foi escrito por volta do ano 1800 AC; porém, o relato, já era tradição oral do povo judeu bem antes disso. Para tentar entender Gênesis, é necessário entender um pouco do que ocorria em torno do ano 2000; 2500 AC (Em torno de 4500 anos atrás). Há 4500 anos, a humanidade já havia adotado o sedentarismo. Fixado a terra, construiu grandes cidades. A sobrevivência e a riqueza tinham como base o uso da terra e da água; necessários à agricultura; à mineração e outras atividades humanas. Controlar esses recursos era vital; mantendo os povos um grande quantitativo de pessoas alocado em exércitos.

Além da terra e da água; o Homem era dependente dos fenômenos naturais e das estações do ano, que ditavam a época de
plantar; a colheita ou destruíam as safras. Por isso as castas sacerdotais, intermediários entre o homem e os deuses; que controlavam ou eram a própria natureza, assumia um papel quase tão importante quanto os chefes de Estado e chefes militares. O modo de produção era escravista e os povos, por mesclarem a idéia de Deus com as forças da natureza, eram politeístas. As explicações para o aparecimento do mundo eram míticas (Dadas pela existência de seres fabulosos e de grande poder; que em batalhas ou por manipulação; ordenavam o caos e faziam nascer a ordem; ordenando o Universos e os seus desígnios. Foi nessa realidade que vivia o Homem quando apareceu o texto de Gênesis. Dessa feita; Genesis foi destinada a uma humanidade com compreensão limitada do Universo que a cercava. Os rudimentos da ciência estavam anos luz de como a conhecemos.

A filosofia só iria aparecer 1500 anos depois. Gênesis, por isso, não deve ser lido textualmente; mas sim como uma alegoria (Conjunto de símbolos utilizados para se transmitir um determinado conhecimento de maneira simplificada); e como tal, analisado rizomáticamente. Quando lemos Gênesis; ao contrário do que os adeptos fervorosos do evolucionismo e dos seus críticos mais ferazes; não temos divergência entre as Verdades da Fé e as Verdades Científicas; ao contrário. Em Gênesis; para um texto alegórico de mais de 4000 anos de idade, temos espantosas Verdades que a ciência só veio a descobrir milhares de anos depois. Na narrativa de Gênesis; em seu primeiro capítulo, vale destacar que: 1) Aparece a noção de monoteísmo em uma época em que o mundo era politeísta. 2) O texto desloca a idéia de ORDENAÇÃO para a idéia de CRIAÇÃO; ou seja: Nos relatos míticos o mundo era pré-existente e os seres míticos apenas o ordenavam. Em Gênesis; Deus cria. 3) A criação não aparece de uma única vez; em um só dia; mas é fruto de vários dias; ou seja: Há uma idéia temporal. Uma idéia de ordem cronológica na criação das coisas. 4) A ordem da criação narrada em Gênesis é praticamente a mesma que os cientistas dizem ter ocorrido no aparecimento do Universo: Energia; matéria; água, seres menos complexos; seres mais complexos; homem (Gênesis é evolucionista; ao seu modo. A criação Divina utiliza-se da evolução / gradação para criar as condições de vida para o Homem; possibilitando o seu aparecimento e sustento).
Assim, como exposto; termino pedindo que os leitores leiam todo o Capítulo 1 de Gênesis e me enviem os seus comentários me dizendo se realmente, para um texto de quatro mil anos de idade, ele não é extremamente exato... Se eu fosse um alienígena, viesse à terra há 4500 anos atrás; visse a humanidade e lesse o Gênesis; ficaria abismado como a humanidade no seu estado de barbárie tinha conseguido chegar tão perto da Verdade. Ainda, se fosse um alienígena, e dissessem para mim que foi Deus quem revelou tudo isso eu diria que esse Deus é extremamente sábio e talvez tivesse lido Darwin e passasse a acreditar nele...

Por Alexandre Yamazaki
Filósofo e Psicanalista

Opção Desequilíbrio Hormonal ou Orientação Sexual?


Apesar deste artigo ser um pouco extenso ele designa o que é orientação sexual ou opção sexual. Traz também as diversas formas de orientação sexual, sempre esclarecendo todas elas.


Quando uma criança nasce, sua identidade sexual será reconhecida pelos caracteres sexuais primários. Se essa criança irá confirmar ou não sua identidade sexual, dependerá da complementação de caracteres secundários que são os testículos nos meninos e ovário nas meninas e também de um processo mais complexo – o sexo psicológico – que se desenvolverá com o passar dos anos. Se no sentido fisiológico, as pessoas podem ter sua identidade sexual definida a partir da presença de órgãos sexuais característicos de cada gênero, o mesmo não ocorre com o sexo psicológico. Pensando nisso, a sexualidade se apresenta numa escala variante que vai desde um comportamento extremamente feminino numa mulher, passando por mulheres pouco femininas, mulheres masculinizadas até homossexuais femininas; da mesma forma podemos encontrar homens pouco masculinos, homens feminilizados e homossexuais masculinos.

O termo orientação sexual é considerado mais apropriado do que opção sexual ou preferência sexual. Mas por quê ? Estudos recentes realizados dentro da sexualidade mostram que ainda na infância, a tendência sexual começa a se desenhar – motivo este o termo opção sexual é inadequado, uma vez que a tendência sexual começa a se manifestar mais ou menos aos sete anos de idade. Neste período a criança ainda não possui uma capacidade avaliativa e que possamos chamar de “escolha”. O que geralmente ocorre é que a criança nesta idade tenta reunir-se às crianças do sexo que irão se identificar psicologicamente e se este não estiver de acordo com a fisiologia, ela tende a ser discriminada pelas outras crianças.

Um estudo sueco traz novos elementos para a discussão a respeito da base biológica da orientação sexual. A neurologista Ivanka Savic em Estocolmo observou que em resposta a um hormônio masculino, o cérebro de mulheres heterossexuais e de homens homossexuais responde de forma similar e da mesma forma há semelhanças na ativação de regiões cerebrais de homens heteros e mulheres homossexuais em resposta a um hormônio feminino.

Mas afinal o que é orientação sexual ? Ela indica o gênero (masculino e feminino) que uma pessoa se sente preferencialmente atraída física e/ou emocionalmente. Essa orientação pode ser: assexual, bissexual, heterossexual, homossexual ou pansexual. A orientação sexual não-heterossual foi removida da lista de doenças mentais nos Estados Unidos em 1973 e do CID (Classificação Internacional de Doenças) em 1993.

A assexualidade é a orientação sexual caracterizada pela indiferença à prática sexual, isto é, a pessoa assexual não sente atração nem pelo sexo oposto e nem pelo mesmo sexo que o seu. A assexualidade pode ser classificada como uma disfunção e não uma orientação sexual. Existe um desacordo a respeito se a assexualidade é uma orientação sexual legítima. Algumas pessoas argumentam que seria um distúrbio de hipoatividade sexual ou distúrbio da aversão sexual. Outras causas sugeridas incluem abuso sexual passado, repressão sexual, problemas hormonais e desenvolvimento tardio de atração. Muitas pessoas ditas assexuais negam tais diagnósticos e argumentam que como a assexualidade não traz angústia, não deveria ser classificada como um distúrbio.

A bissexualidade se trata da atração física e emocional por pessoas tanto do mesmo sexo como do sexo oposto com níveis variantes de interesse por cada um, e à identidade correspondente a esta orientação sexual. Portanto, bissexual sente atração por ambos os sexos, servindo, portanto de um quase meio-termo entre o hetero e o homossexual. Uma equipe de psicólogos de Toronto e Chicago realizaram estudos que serve de apoio para aqueles que se declaram céticos sobre o fato da bissexualidade ser um tipo de orientação distinta e estável. Eles mediram diretamente os padrões de resposta a estímulos a imagens de homens e mulheres. Os homens que se diziam bissexuais mostraram-se muito mais sexualmente excitados diante de outros homens. As pessoas que afirmam ser bissexuais são geralmente homossexuais, mas são ambivalentes sobre sua homossexualidade.


Heterossexualidade refere-se à atração sexual e/ou romântica entre pessoas de sexos opostos, e é considerada a mais comum orientação sexual nos seres humanos. A heterossexualidade tem sido identificada como “a normal” ou “natural”, decorrendo diretamente da função biológica relacionada com o instinto reprodutor sendo tudo o resto “anormal” ou “anti-natura”.

Homossexualidade é o atributo, a característica ou a qualidade daquele ser que é homossexual e define-se por atração física, emocional e estética entre seres do mesmo sexo com eventual inversão de papéis de gênero (homens e mulheres). Como surgiu o termo homossexual ? Foi criado em 1869 pelo escritor e jornalista Karl-Maria Kertbeny, derivando do grego homos que significa “semelhante”. Em 1870, um texto de Westphal chamado “As sensações sexuais contrárias” definiu a homossexualidade em termos psiquiátricos como um desvio sexual, uma inversão do masculino e do feminino.

A partir de então, no ramo da sexologia, a homossexualidade foi descrita como uma das formas emblemáticas da degeneração. Experiências em laboratórios com ratos fêmeas e com seres humanos que receberam testosterona (hormônio sexual masculino) ainda em fase uterina, resultou que desde a primeira fase da vida, mostravam comportamento masculinos como gostos, brincadeiras mais agressivas além de sentirem-se mais atraídas por fêmeas.

Geneticistas defendem a tese de que a homossexualidade tem determinação genética. Glenn Wilson e Quazi Rahman, investigadores na área da psicologia, concluem que há diferenças biológicas entre pessoas homossexuais e heterossexuais, e que estas não podem ser ignoradas. Alegam também que alguns fetos do sexo masculino com pré disposição genética para a homossexualidade são incapazes de absorver corretamente a testosterona no seu processo de desenvolvimento, de modo que os circuitos neurocerebrais responsáveis pela atração pelo sexo oposto, ou nunca se desenvolveram ou o fazem de forma deficiente. Quanto à homossexualidade feminina, esses investigadores avançam com a hipótese de haver uma proteína no útero responsável pela atração dos fetos femininos contra a exposição excessiva a hormônios masculinos que não atuam suficientemente cedo no processo de desenvolvimento.

Psicólogos e psicanalistas estão contrários a argumentações apenas biogenéticas sobre as causas da homossexualidade e consideram a percepção desta orientação sexual como um traço “apenas” geneticamente determinado incorreta, buscando antes explicações associadas ao meio e à educação dos indivíduos homossexuais. Psicólogos norte americanos desenvolveram pesquisas sobre a importância da formação intra familiar no homossexual.

Pansexualidade é a orientação sexual, distinta da bissexualidade e caracterizada por atração estética, amor romântico e o desejo sexual por qualquer um, incluindo pessoas que não se encaixam na binária de gênero macho/fêmea implicado pela atração bissexual. Algumas vezes é descrito como a capacidade de amar uma pessoa de forma romântica, independente do gênero. Alguns pansexuais chegam a afirmar que o gênero e sexo não têm importância para eles. Algumas pessoas trans e intersexuais se descrevem como pansexuais, tendo uma percepção íntima que existem muitos níveis entre o masculino e o feminino. Contudo isso não deve ser visto como generalização, já que as pessoas trans podem se identificar como heteros, bissexuais ou homos baseado em sua identidade de gênero.

Existem três termos: travesti transexual e transgênero que as pesquisas e estudos realizados dentro da sexualidade ainda não têm uma classificação definitiva.
Travesti era originalmente alguém que se vestia com roupas do sexo oposto para se apresentarem em eventos de fundo artísticos. Mas, essa prática passou a designar o comportamento das drag queens e transformistas. Esse termo atualmente se refere às pessoas que apresentam sua identidade de gênero oposta ao sexo designado no nascimento, mas que não almeja se submeter à cirurgia de resignação sexual que nada mais é do que a mudança de sexo. As pessoas que se definem travestis podem se identificar como homossexuais, heterossexuais, bissexuais ou assexuais.

Transexual é uma pessoa que possui uma identidade de gênero oposta ao sexo designado, mas o que difere do travesti é que o transexual tanto homem quanto mulher, fazem ou pretendem fazer uma transição do seu sexo designado no nascimento com o sexo oposto. A explicação estereotipada é de uma mulher presa em um corpo masculino ou vice versa. Transexualidade é um termo entre os comportamentos ou estados que abrigam o termo transgênero. Entretanto muitas pessoas da comunidade transexual não se identificam como transgênero que se refere a pessoas cuja expressão de gênero não corresponde ao papel social atribuído ao gênero designado para elas no nascimento. Mais recentemente o termo tem sido utilizado para definir pessoas que estão constantemente em trânsito entre um gênero e outro. O prefixo trans significa “além de”, “através de”.Não existe cientificamente nada que prove quais são as causas da transexualidade. Todavia, muitas teorias sugerem que as causas têm suas raízes na biologia e outros acreditam que as origens são predominantemente psicológicas.



Dentre as causas psicológicas temos mães superprotetoras e pais ausentes, pais que almejavam uma criança do sexo oposto e homossexualidade reprimida. Em termos de individualidade ou essência, qualquer ser humano possui o gênero masculino e o gênero feminino dentro de si. No campo da sexualidade, temos muito ainda que pesquisar e estudar e definir realmente o que está por trás desses desejos sexuais e principalmente da “variedade” de orientações sexuais. Mas até lá o importante é que, qualquer que seja a orientação sexual dessas pessoas, como qualquer outro ser humano, elas merecem compreensão e são muito mais que um rótulo e que podem e devem ter uma vida comum como todos nós.

Bibliografia sugerida:

CARDOSO, Fernando Luiz, “O que é orientação sexual”, Editora Brasiliense
SCHIAVO, Marcio Ruiz, “Manual de Orientação Sexual”, Editora O Nome da Rosa

Por Alexandre Yamazaki
Filósofo e Psicanalista

segunda-feira, 28 de março de 2011

O extermínio do Sagrado e do Feminino na Cultura Moderna


A não integração dos valores que foram banidos da consciência pela cultura moderna, pode ser desastrosa para a humanidade. Presenciamos os ataques terroristas nos EUA de 11 de setembro de 2001, e em Londres no dia 7 de setembro de 2005, ou sob outra ótica, parcelas radicais do mundo árabe versus parcelas do mundo ocidental, revelam uma questão de fundo que é a desconexão do homem contemporâneo com sua espiritualidade.

A nossa cultura encontra-se extremamente identificada com o pensamento positivista. A visão do mundo é catastrófica, pois reprime através da racionalização e da lógica causal, todos os fenômenos que não podem ser entendidos por este prisma.O perigo desta visão é uma identificação com o suprapessoal na figura dos valores coletivos. O inconsciente não é apenas um fenômeno pessoal, mas também coletivo e, portanto, que as pessoas são influenciadas por um conjunto de forças extremamente atuantes e imperceptíveis. Desta forma, o homem moderno perdeu contato com sua vida instintiva.

Heidegger, bem disse: esquecemos que esquecemos do Ser e da totalidade. De que a cultura humana é parte de um processo muitíssimo mais antigo do que nós mesmos.Os deuses arquetípicos devem ser invocados para habilitar a humanidade a "sentir diferentemente" sobre o mundo, e uma grande mudança na atitude cultural deve ser efetuada, incluindo uma dramática mudança de atitude, a respeito do relacionamento da humanidade com seus pares, com o ambiente e o mundo físico.

A vida metafísica (ou espiritual), e o mundo foram esvaziados do verdadeiro significado religioso; o ser humano precisa refazer a experiência de re-ligação, de fusão, para recuperar suas raízes arquetípicas e experimentar sua identidade com a vida e com o Todo. Quando o feminino está ausente, ou, reprimido, em seu lugar surgem as teorias que “explicam” a vida de forma muito sintética e mecânica, - a falta de contato com a dimensão instintiva e emocional pode conduzir a atos desumanos e destrutivos. O grande poder do mito, é sua habilidade para mobilizar ações humanas e impulsionar respostas coletivas. Assim o desafio do feminino é fazer ouvir a sua voz interior, reivindicar seus talentos e dons, despertando o mundo. Leonardo Boff diz que o feminino "expressa a dimensão de ternura, cuidado, auto-aceitação, misericórdia, sensibilidade face ao mistério da vida e de Deus, cultivo da interioridade que existe e deve existir em toda existência humana que alcança um nível mínimo de maturidade”.


Assim, o feminino deve despertar o mundo para transformá-lo, através de um caminho individual, e, por conseguinte uma mudança interpessoal e uma evolução sócio-cultural, em uma jornada onde não estamos sós, aonde os deuses já trilharam antes de nós, e como Campbell nos aponta...”O labirinto é conhecido em toda sua extensão. Temos que seguir a trilha do herói, e lá, onde temíamos encontrar algo abominável, encontraremos um deus. E lá, onde esperávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos. Onde imaginávamos viajar para longe, iremos ao centro da nossa própria existência. E lá, onde pensávamos estar sós, estaremos em companhia do mundo todo”.

Bibliografia sugerida:

Boff, Leonardo (1989) Saber cuidar - Ética do humano compaixão pela terra.São Paulo: Vozes.
Campbell, Joseph (1998) O Poder do Mito. São Paulo: Palas Athena. Neumann, Erich (1991) Psicologia profunda e nova ética. Coleção Amor e Psique. São Paulo: Paulinas.

Por Alexandre Yamazaki
Filósofo e Psicanalista

A Psicologia por traz do FICAR



O que é adolescência e como os jovens encaram e se comportam com o sexo oposto e também como lidam com os relacionamentos afetivos.

Todos nós passamos pela chamada fase da adolescência que é o período entre a infância e a fase adulta. Segundo a Organização Mundial da Saúde esse período é estabelecido entre os 10 e 20 anos de idade, já o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece outra faixa etária: dos 12 aos 18 anos. É um período no qual o indivíduo passa por muitas mudanças físicas, psicológicas e tem como características as chamadas “revoltas”, manias e várias outras atitudes. É nesse momento que os jovens começam a conhecer a relação entre um homem e uma mulher.

Existem vários tipos de relacionamentos afetivos, mas o “ficar” é o mais presente na vida desses jovens. Designa num relacionamento episódico e ocasional, na maioria das vezes com duração de algumas horas durante uma festa ou num momento de diversão. A prática mais comum envolve beijos, abraços e carinhos, tendo com característica importante a não implicação de compromissos futuros e é visto como algo passageiro, sem conseqüências ou envolvimentos.

Esse tipo de relacionamento tem características que coincidem com o comportamento desses jovens. Por ser algo que não implica em compromissos sérios significa que o adolescente não está pronto para assumir responsabilidades e eles encaram o “ficar” com muita naturalidade exatamente por esse motivo. Lembrando sempre que nos referimos aos adolescentes de uma forma em geral.

Porém, existe uma diferença entre meninos e meninas quanto à preferência ou não de “ficar”. Geralmente os meninos são mais adeptos a esse hábito enquanto que as meninas preferem namorar a “ficar”. Talvez isso demonstre que as meninas amadurecem mais cedo que os meninos. Seja qual for à preferência entre os sexos, o “ficar” é um modo de explorar e experimentar sentimentos, parceiros e situações de escolhas para tomada de decisões que exigem mais responsabilidade, pois muitos desses adolescentes relatam que o “ficar” é um primeiro contato que poderia levar a um namoro.

Por mais conservador que possa parecer nos dias de hoje, existe certa recriminação em relação àqueles que “ficam” com freqüência, principalmente para as meninas, pois elas são vistas como “galinhas”, “não-sérias” e “não confiáveis”, passíveis de rejeição tanto por parte dos meninos como das meninas.

O “ficar” é como um estágio para futuros relacionamentos afetivos, mas é preciso ter cautela e saber se preservar.

Referências Bibliográficas

BECKER, Daniel – “O que é adolescência”, Ed. BrasilienseZAGURY,Tânia – “O adolescente por ele mesmo”, Ed. Record

HARRISON, Michelle – “O primeiro livro do adolescente sobre amor, sexo e AIDS”, Ed. Artmed, 1996

Por Alexandre Yamazaki
Filósofo e Psicanalista

domingo, 16 de janeiro de 2011

Obesidade: doença ou padrão de beleza?


Segundo a Medicina Clássica a obesidade é o resultado de aspectos genéticos, ambientais e compotamentais. Mas independente das causas, o ganho de peso está sempre ligado ao aumento da ingestão de alimentos e à redução do gasto energético dessa ingestão, que pode estar ligado a características genéticas ou a uma série de distúrbio clínicos e endócrinos. A obesidade é fator de risco para uma série de doenças ou distúrbios. Isso faz com que o obeso tenha menos expectativa de vida, principalmente quando é portador de obesidade mórbida.

Para muitos Psicanalistas, entre diversas pessoas que procuraram acompanhamento terapêutico para redução e controle de peso, existe uma quantia ínfima, que considerasse o ato de "comer", exclusivamente como prazer ou necessidade orgânica/ física. Quero dizer com isto, que quem sofre com este tipo de distúrbio alimentar, quase sempre, possui razões muito mais profundas que mera "gula". E infelizmente, com a mesma freqüência, é julgado injustamente.

No Brasil, 40% da população têm o diagnóstico de excesso de peso, a maior incidência está entre os adultos, e entre estes, as mulheres. As maiores causas apontadas: sedentarismo, comilança e stress, depois em menor escala: distúrbios orgânicos que levam involuntariamente ao aumento de peso. A Psicanálise não se prende ao ponto de vista estético, físico/ patológico, mas sim a representação simbólica da obesidade e os fatores psicoemocionais que levam a ela. Hoje (nem sempre foi assim) a sociedade sugere que o modelo idealizado é ser magro, e isto coloca esta população de 40% numa condição marginal aos padrões ideais.

No entanto, para a Psicanálise a obesidade só se classifica como um sintoma, a partir do momento que incomoda ao próprio sujeito, do contrário, não. “Comer somente o necessário” está na contramão da programação genética humana, quando pensamos que descendemos de uma civilização primitiva, em que a regra máxima era comer, armazenar energia, para garantir a sobrevivência até a próxima oportunidade de refeição. É muito importante explicar que traçar o vínculo acima não deve servir para legitimar a compulsão pela comida, mas sim para reforçar que a luta contra a compulsão deve ser intensificada porque estamos enfrentando, inclusive nossa própria natureza, obsoleta para nossa realidade, já que hoje o alimento está disponível em maior escala que na pré-história dos antepassados. A grande questão para quem sofre deste tipo de compulsão, ou seja, para quem sente a necessidade “desnecessária” de comer, é perguntar-se: por que estou comendo, o que estou tentando saciar, já que a fome não é? Parece uma disposição óbvia e por isto ineficaz, e admito que para uma grande maioria, de fato é.

Mas questionar-se é o mais importante e o primeiro passo para a compreensão deste “sintoma psicológico”. Dentre as respostas sob a ótica Psicanalítica podem estar (alguns exemplos hipotéticos): - um mecanismo de defesa, criado a partir de um evento traumático, quando há a necessidade de se pôr a margem desta sociedade, a negação em fazer parte dela;- autopunição, usar o próprio corpo como forma de castigar-se inconscientemente por algo;- tentativa de saciar uma fome não orgânica, mas emocional. Comer para tentar preencher um “espaço vazio”;- comer como forma de prazer, porque outras formas são ineficazes ou inexistentes;- conflito inconsciente, arraigado a partir da infância, já que quando se é bebê ou até poucos anos de idade, ser “gordinho” é bonito e “sinal de saúde”, de repente, deixa de ser, e vêm os regimes. Isto, além de ilógico, é cruel. Um exemplo prático, dos exemplos acima é: quando se faz uma cirurgia para redução de estômago, é imprescindível o acompanhamento Terapêutico, não só para ajudar na elaboração (idéia de si mesmo) da nova forma física, mas para impedir que outros transtornos tenham início.

Se, comer constitui a principal fonte de prazer e ela é inibida, isto pode resultar numa inexplicável depressão. Bem, as abordagens acima, são apenas para ilustrar como os fatores psicoemocionais podem influenciar, quando o excesso de peso é indesejado pelo sujeito. Diferentemente dos preceitos sociais, a Psicanálise não classifica padrões e nem julga modelos, ela busca fazer com que o sujeito tome contato, identifique-se e harmonize-se com seus próprios desejos, neste caso, sejam eles: “gordo ou magro”.

Solidão e Melancolia


Se você pode se imaginar à parte todo o invólucro material, adereços e formatos, cores e estéticas que a vida lhe possibilita, vai perceber que o que resta é um princípio único e individualíssimo a que podemos chamar de consciência. Isso é o que somos de verdade. Nada mais.

Somos o que pensa, sente, percebe e intui. Podemos comunicar a qualidade desses conteúdos simplesmente com nossa presença, ainda que silenciosa.

Há quem esteja às voltas com a busca de alguém que lhe abasteça o vazio de ser único. Pode inclusive chegar à certeza de que de fato encontrou outro ser. Este se presta ao disfarce da inequívoca sensação de ser só. Mas não tardará a entender que ninguém completa algo que já é completo e individual: a individualidade a que chamamos segundo Freud consciência. Desfrute à parte, porque é essencial e saboroso compartilhar, somos sós.

Então, cabe mesmo ao próprio dono do RG identificar a condição soberana que lhe é dada, de ser ele mesmo. E refletir sobre o que pode fazer com isso.

Há pelo menos duas conhecidas dimensões humanas típicas da condição individual do ser.

- Quem já conheceu nas próprias entranhas a dolorosa solidão, conhece a dimensão infeliz de ser só. Dói fisicamente também, porque afeta todo nosso sistema vivo. Tudo em nós é interdependente. Daí porque tudo se afeta dentro de nós.

- Mas, uma das mais sábias atitudes mentais que se pode desenvolver ao longo da vida é o aprendizado da outra dimensão de ser só. A dimensão que podemos chamar de sozinhez. Esta é uma condição que tende a ser mais voluntária. Depende da qualidade da vontade de experimentá-la.

A sozinhez é uma condição, desenvolvida ou congênita, de estar só de forma Nutritiva e Reflexiva. Diferente de passar um lindo dia no shopping sozinho, ou na frente do micro ou numa longa viagem a sós. Podemos realizar altos investimentos em nossa condição individual sem, entretanto, conseguir alcançar a sozinhez. Esta é uma possibilidade humana, que aos animais não é dada, tampouco às lindas plantas do seu jardim.

Mas se você conseguir experimentá-la de fato, vai compreender que a condição nutritiva e reflexiva da sozinhez traz repercussões criativas na forma de sentir, pensar e agir. Podemos ser mais interessantes para nós mesmos do que supúnhamos. É desta fonte que vai jorrar o néctar essencial que lhe torna invulgar, não, pasteurizado. Se não conseguimos conhecer nossa singularidade será entediante e solitário ser grupo ou casal.


Indicação de Leitura do tema

Livro: A SOLIDÃO DOS NÚMEROS PRIMOS
Autor: Paolo Giordano
Editora : Rocco

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Janus, Janeiro e o inicio ano.....


A etimologia é clara: a palavra janeiro deriva do latim januariu, que identifica o mês do deus Janus, divindade das portas e portões, das entradas e saídas e do princípio e do fim. Seria, portanto, quem presidiria ao começo do novo ano, motivo pelo qual o primeiro dos doze meses tem adequadamente o seu nome.

Jano Pater para os romanos e um dos deuses mais antigos do panteão latino, ostenta títulos como Geminus, Patulcius, Clusius, Matutinus e Consivius, os quais reforçam os seus atributos de origem das coisas e de divindade dos começos. Figura entre os reis míticos de Roma e atribui-se-lhe uma Idade de Ouro de completa honestidade entre os homens, abundância e paz e a autoria de avanços civilizacionais como a navegação, a moeda, as primeiras leis e o cultivo do solo. Durante a guerra de Rómulo contra os sabinos - causada pelo rapto das mulheres destes - diz a lenda que o deus interveio para salvar Roma, fazendo brotar na colina do Capitólio uma nascente de água quente que jorrou em direção aos atacantes. Com base nesta história e por iniciativa do imperador Octávio Augusto, os romanos preservaram a tradição de manter abertos os portões do templo de Janus em tempo de guerra, caso o deus desejasse intervir.

Na qualidade de guardião de todas as portas, ele protegia o lar, presidia a ritos de passagem, era invocado na abertura das cerimonias religiosas, no início de projetos e de campanhas e em muitas outras ocasiões que constituíssem novos começos. Janus era o deus dos portões e portas. Ele era representado por uma figura com duas faces olhando em direções opostas. Seu nome é o radical da palavra inglesa "January" que significa Janeiro (o mês que "olha" para os dois anos, o que passou e o novo ano).

Em Roma, os templos dedicados a Janus eram numerosos, o mais importante é conhecido como o Geminus Ianus, com uma estrutura em portão, dupla (uma porta de frente para o sol nascente e o outro, o sol poente), encontrada no Fórum Romanum através do qual os legionários romanos marcharam para a batalha. Este templo teve uma serventia particular, uma função simbólica. Quando as portas do templo eram fechadas, significava que a paz reinava dentro do Império Romano. Quando os portões eram abertos, isso significava que Roma estava em guerra. Entre os reinados de Numa e Augusto, os portões foram fechados apenas uma vez. Janus também tinha um templo no Fórum Olitorium e algum tempo durante o primeiro século, outro templo foi construído em sua honra no Fórum de Nerva. Este templo em particular, tinha quatro portais conhecidos como Quadrifons Ianus.

Assim, agora que estamos nos primeiros dias de Janeiro de 2011, o Universo Filosófico presta com esta entrada a sua homenagem ao deus Janus, saudando-o com um adoratio virtual, e sugere esta página a quem queira honrá-lo com um elaborado e pagão ritual romano, mas nunca soube como.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O PAI NOSSO E O ESPÍRITO DE NATAL


POR FREI BETO


De Frei Beto o ensinamento, muito bem claro para a compreensão do espírito natalino.
O Pai nosso no sentimento, com o pão nosso no partilhar.
Tão Santificado e comovente. é pra nos libertar o coração.
Deus é o Pai de toda gente, e o Pão é nosso em comunhão.

De Jesus esta filosofia, é como todos devemos de proceder.
Sobre o pão nosso de cada dia, e todo nosso gasto no viver.
É a despesa conseqüente, para toda a nossa manutenção.
Deus é o Pai de toda gente, e o Pão é nosso em comunhão.

Questão do gasto da Existência, e toda a nossa sustentação.
Porque não havendo decência, o abandono faz-se a situação.
Agente vai triste em frente, por um cantinho e pedaço de pão.
Deus é o Pai de toda gente, e o Pão é nosso em comunhão.

É só ganho da nossa vida, de como nossas despesas pagar.
A nossa causa decidida, que ninguém nunca pode abandonar.
Da gente com a gente da gente, que nos tiram da privação.
Deus é o Pai de toda gente, e o Pão é nosso em comunhão.

É toda nossa precisão, com todo bem que fazemos usufruir.
Deus com a sua compaixão, nos animando para persistir.
Deus Pai na hora candente, que pro humano é a salvação.
Deus é o Pai de toda gente, e o Pão é nosso em comunhão.

O Pão Nosso é além da comida, roupa, remédio e moradia.
É a Divina Misericórdia sentida, para não viver em agonia.
Um momento premente, que quem ajuda é Amigo e Irmão.
Deus é o Pai de toda gente, e o Pão é nosso em comunhão.

O que se gasta pra viver, e as vezes não se consegue ganhar.
Que só pelo fato de não ter, nos faz necessidades passar.
Precisamos de gente comovente, que nos salve da aflição.
Deus é o Pai de toda gente, e o Pão é nosso em comunhão.

É o alimento e o cuidado, do que temos de necessidade.
Do que estamos precisados, para viver com dignidade.
Temos de Ter o suficiente, e para Ter temos de dar a mão.
Deus é o Pai de toda gente, e o Pão é nosso em comunhão.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Fabula do Céu e do Inferno


Um homem sobre seu cavalo e o seu cão, caminhavam por uma estrada.

Depois de muito caminhar, esse homem se deu conta de que tanto ele quanto o seu cãohaviam morrido num acidente.

Às vezes os mortos levam tempo para se dar conta de sua nova condição...

A caminhada era muito longa, morro acima, o sol era forte e eles ficaram suados ecom muita sede. Precisavam desesperadamente de água.

Numa curva do caminho, avistaram um portão magnifico, todo de mármore, que conduziaa uma praça calcada com blocos de ouro, no centro da qual havia uma fonte deonde jorrava água cristalina.

O caminhante dirigiu-se ao homem que numa guarita, guardava a entrada.

- Bom dia, ele disse.

- Bom dia, respondeu o homem.

- Que lugar e este, tão lindo?... ele perguntou.

- Isto aqui e o céu, foi a resposta..

- Que bom que nos chegamos ao céu, estamos com muita sede, disse o homem.

- O senhor pode entrar e beber água a vontade, disse o guarda, indicando-lhe afonte.

- Meu cão também esta com sede!!!

- Lamento muito, disse o guarda

- Aqui não se permite a entrada de animais.

O homem ficou muito desapontado porque sua sede era grande. Mas ele não beberia,deixando seu fiel amigo com sede.... e assim, prosseguiu seu caminho...

Depois de muito caminharem morro acima, com sede e cansaço multiplicados, ele chegou aum sitio, cuja entrada era marcada por uma porteira velha semi aberta.

A porteira se abria para um caminho de terra com arvores dos dois lados que lhefaziam sombra.

À sombra de uma das arvores, um homem estava deitado, cabeça coberta com umchapéu, parecia que estava dormindo.

- Bom dia, disse o caminhante.

- Bom dia, disse o homem.

- Estamos com muita sede, eu e meu cão...

- Há uma fonte naquelas pedras, disse o homem e indicando o lugar.

- Podem beber a vontade.

O homem e o seu cão, correndo alegremente, foram ate a fonte e.... saciaram asede!!!

- Muito obrigado, ele disse ao sair.

- Voltem quando quiserem, respondeu o homem.

- A propósito, disse o caminhante, qual e o nome deste lugar?

- Céu, respondeu o homem.

- Céu???... Mas o homem na guarita ao lado do portão de mármore, disse-me que láera o céu!

- Aquilo não é o céu, aquilo é o.... inferno!!!

... e o caminhante ficou perplexo!!!

- Mas então, disse ele, essa informação falsa deve causar grandes confusões.

- De forma alguma, respondeu o homem. Na verdade, eles nos fazem um grande favor,porque lá ficam aqueles que são capazes de abandonar seus melhores amigos...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Astronomia na Escola


Este Projeto é um trabalho elaborado por minha noiva, Prof. Celi Passarelli, na Escola Alexandre Von humboldt - Vila Anastacio, São Paulo - SP. Ele tem como um de seus Objetivos ter o Universo como laboratório, deduzindo de sua Observação as leis da Fisica que podem ser utilizadas em muitas coisas práticas, desde prever as marés até estudar os corpos e asteroides que vagam por nosso espaço...



Vale a pela ler a Matéria publicada na Folha de São Paulo, 29 de Outubro de 20101. Caderno Especial pag. 12 ou caso prefiram segue o link abaixo




Parabens mais uma vez pelo seu excelente trabalho meu amor!!!!

domingo, 21 de novembro de 2010

Sobre a Morte e o Morrer


Um dia todos morreremos...

"Cada instante da vida é um passo para a morte"
Corneille , Pierre

Lembro que quanto eu era adolescente, um dos livros que mais me fascinou foi a "Divina Comédia". Apesar de ter sido escrito, obviamente, com uma visão cristã bem medieval - acredita-se que por volta de 1307 - a 'hierarquização' do céu, inferno e purgatório usada por Dante Alighieri parece ter um paralelo com a cosmogonia budista. Mas lembro que fiquei chocado por encontrar os grandes pensadores gregos no limbo, pelo simples fato de eles não terem escolhido Cristo como salvador. Isso mostra bem o pensamento cristão na Idade Média. O pobrezinho do Homero estava no limbo. E eu pesava: mas o cara era do século 9 ou 8 antes de Cristo, como ele poderia tê-lo escolhido?" Pode parecer uma besteira, mas fiquei muito preocupado com isso. Eu não era batizado na igreja católica, portanto um pagão. E como pagão, iria passar a eternidade ouvindo a Ilíada!

Não existe nenhuma pessoa no planeta que não tenha passado pela experiência da perda de um ente querido. É uma experiência profundamente dolorosa, mesmo quando a pessoa está adoecida há tempos e a morte é “esperada” porque já se tentou de tudo ou porque seja portadora de uma patologia fatal. Ainda assim, a morte nunca é esperada, ou melhor, é, porém, com esperanças de que seja postergada ou até, que aconteça uma espécie de milagre e evite o ciclo natural evidente no fato.

Há uma historinha do budismo que ensina a inevitabilidade da morte.

“Uma mulher cujo filho pequeno acabara de morrer corria pelas ruas desesperada, implorando a todos um remédio mágico que restituísse a vida de seu filho”.

Alguém então lhe disse para pedir a Buda.

Ela subiu a montanha até ele e implorou a vida de seu filho. Buda respondeu: Vá até a cidade e traz-me um grão de mostarda de uma casa onde não tenha morrido ninguém. Ela desceu a montanha, e correu pelas casas da cidade, sem encontrar uma única casa onde ninguém tivesse morrido.

Assim ela entendeu que morrer fazia parte da vida, por mais que Buda ressuscitasse o filho dela um dia ele morreria de novo, pois a morte e vida não são contrarias, são irmãs, então ela voltou até Buda mais reconfortada e ouviu dele a verdade:

"No mundo do homem e no mundo dos deuses, a lei é uma só: todas as coisas são passageiras”.

O Buda Shakyamuni e vários outros mestres ensinam que, na verdade, a vida faz parte da morte. É um ciclo sem fim, como um círculo.

Diante da morte, as reações são absolutamente particulares. Saber que nunca mais será possível conversar, brincar, partilhar da sua presença, brigar com ela, tocar, olhar no fundo dos olhos. Enfim, a sensação de que nos tiraram o chão é comum, porque a dor é muito grande. Alguns tentam ignorar a tristeza; outros se fecham; há também os que reprimem a dor. O que é necessário se aprender sobre a morte é, primeiro de tudo, que a dor é real. Não há como negá-la, mesmo que a negação faça parte do processo de luto! Depois, é preciso aprender saber viver esta dor corretamente. O luto é o tempo que precisamos para reorganizar a nossa vida. É um tempo que sentimos um misto de emoções como tristeza, revolta, indignação, raiva, angústia, inconformismo. É importante que se prove estes sentimentos e saboreie o que eles proporcionam, pois ajudam a superar situações que ficaram sem solução em vida.

Alguns questionamentos que vem junto com a morte geram culpa e é a própria vivência dos sentimentos de dor que a morte alavanca que purifica tudo, inclusive, imperfeições de relacionamentos. Muitos preferem, no momento da dor maior, fazer uso de remédios tranquilizantes para amenizar ou anestesiar a dor da perda. O que muitos não sabem é que as etapas do luto devem ser sentidas para que sejam melhor elaboradas e consistem em vivenciar o velório, a despedida, o sepultamento, missas de 7° dia, 1 mês, 1 ano. É natural que nos primeiros dias nos reservemos para processar o fato e isso deve ser respeitado. Mas a dor, passado alguns dias, não pode ser determinante por um período longo demais. Procurar ajuda, seja em forma de desabafos sinceros com um amigo, familiar ou profissional, contribui para que possamos assumir o quanto ficou por ser dito, feito, sentido e ameniza alguns dos sentimentos difíceis de superar. Mas, mesmo com o coração sangrando, passado um tempo, é hora de curá-lo para continuar a vida, mesmo que falte vontade. Algumas vezes, a morte de um ente querido, depois de superada nos ensina a viver melhor, com mais qualidade.

Pode soar estranho encarar a morte de forma natural, mas morrer é tão natural quanto viver. Se você puder estar ao lado de uma pessoa em seu leito de morte, não tenha medo de segurar-lhe a mão, afagar o cabelo, de falar palavras doces, pois, além de ajudar a pessoa a morrer melhor, você encontrará maior entendimento da vida para si mesmo.


Bibliografia:

FREUD, S. Luto e Melancolia. In: Obras psicológicas completas de Sigmund Freud: edição
standard brasileira. Tradução por Jayme Salomão. Rio de Janeiro: Imago, 1996. Vol. 14, p.245-263.

BROMBERG, M.H. A psicoterapia em situações de perdas e luto. Campinas: Livro Pleno, 2000.

ARIÉS, P. História da Morte no Ocidente. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1977.


BOWLBY, J. Apego e Perda. V.3. São Paulo: Martins Fontes, 1985

PARKES, C. M. Luto: estudos sobre a perda na vida adulta. São Paulo: Summus, 1998.



quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Será Deus um delirio?


Religião, Espiritualidade, Religiosidade… são tudo a mesma coisa, certo ?
Algumas definições:

ESPIRITUALIDADE: Compreende elementos não mensuráveis, relacionados ao senso de realidade, significado transcendental, seu lugar e propósito no universo. Todos possuem, mesmo que seja nomeada ou definida de forma diferente.

RELIGIÃO: Expressão particular de crenças espirituais que envolvem códigos de ética, dooutrinas, dogmas, metáforas e mitos. É uma maneira de perceber o mundo.

RELIGIOSIDADE: Nível de envolvimento em uma prática religiosa.

Religião e Saúde estiveram interligados durante séculos. Na idade média, os Cavaleiros Hospitalários, monges guerreiros que comandavam os hospitais em Jerusalém na época das Cruzadas, realizavam as tarefas de um profissional que hoje conhecemos como médico. Instituições mantidas pelo clero eram comuns naquela época, fazendo a dissociação entre fé e cura praticamente impossível. No entanto, aqueles que sofriam de transtornos mentais freqüentemente eram tratados como possuídos por forças e espíritos malévolos. No século XV, com a publicação da obra Malleus Maleficarum, estabelecendo as diretrizes e procedimentos para o manejo dos que estivessem “dominados por forças do mal”, milhares de inocentes foram queimados em fogueiras ou decapitados.

Pensemos a espiritualidade como um destino. A religião seria uma das estradas para este destino. Já a religiosidade seria a intensidade e o grau de compromisso que uma pessoa tem de assumir para utilizar a mesma estrada rumo ao destino.

E o que a ciência diz sobre isso ? As evidências indicam que pessoas que praticam uma religião ou realizam práticas espirituais têm menos chances de adoecer, inclusive com relação aos quadros de transtorno mental. Entre aqueles que se encontram debilitados e/ou internados nos hospitais, os que são religiosos ou espiritualizados têm maior probabilidade de respeitar as orientações dos profissionais de saúde e, por conseqüência, recuperam-se com maior facilidade de suas enfermidades. Filhos criados em famílias com forte influência religiosa têm menores chances de se envolver em atos anti-sociais, consumo de drogas e demais delitos. Lembram daquela idéia de “corpo como lugar sagrado” ? Pois é, é bem por aí.

“Eu não tenho religião! Como posso ser espiritualizado ?”

Ok, mas até um ateu pode ter um sentido na vida. Se a sua meta for trabalhar, construir uma carreira, constituir uma família feliz, envelhecer com saúde e no final apenas descansar os ossos num cantinho onde seus descendentes possam prestar homenagens, isso já seria um sentido ao menos razoável para a vida, não ? Penso serem a essas questões que a espiritualidade vem oferecer algumas respostas e orientações.

Referências:

FREUD, Sigmund. Volume XXI: Futuro de uma ilusão. Texto original: 1927. In: FREUD, Sigmund. Edição Eletrônica Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Versão 1.0.0.26. [S.I.]: Imago Editora, 1997. 1 CD-ROM.

JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião. Tradução: Pe. Dom Mateus Ramalho Rocha, OSB. 2º. ed. Petrópolis: Vozes. 1978.

Ciumes: Afetividade ou desequilibrio?


"Você vai sair com essa roupa?" "A reunião foi até agora?" "Por que você olha tanto para aquele lado?" São perguntas muito ouvidas pelas pessoas que vivem relacionamentos marcados pelo ciúme.

O ciúme já protagonizou grandes tragédias, seja na ficção, seja na vida real. Existem até os crimes chamados passionais (cometidos por pessoas dominadas pela emoção). É um sentimento que merece ser tratado com atenção e cuidado. Mas o que é o ciúme? Ciúme é insegurança? É doença?

A pessoa ciumenta tem como padrão de comportamento certificar-se freqüentemente se é mesmo querida e se as outras pessoas são capazes de dar provas de seu amor, como se o amor e a atenção dependessem de algumas coisas externas à relação (como se vestir de determinada maneira ou não freqüentar alguns lugares), como se o amor exigisse um preço para ser dado e uma prova para ser recebido. É comum que os ciumentos interpretem os acontecimentos de maneira distorcida (por exemplo, o fato de o parceiro ter se arrumado para sair é interpretado como uma provocação) e sofram por isso. Esse padrão está presente desde o relacionamento com a pessoa amada até as relações com os amigos, familiares, bichos de estimação e objetos. As pessoas ciumentas costumam cobrar mais a atenção dos amigos e não gostam muito de ver seus objetos pessoais sendo usados por outras pessoas.

Por uma questão cultural, é comum as pessoas acreditarem que ciúme é prova de amor e que podem fazer pequenos sacrifícios como deixar de ir à determinados lugares ou trocar de roupa para que a pessoa amada não se chateie. O problema é que esses pequenos sacrifícios tendem a transformar-se em pequenas prisões com o passar do tempo. O ciúme vai aumentando e o prazer de estar na companhia do outro vai diminuindo.

Quem sente o ciúme também sofre e se prejudica muito, pode sentir-se desvalorizado e ficar muito ansioso quando tem que enfrentar situações em que se sente ameaçado e, muitas vezes, não consegue lidar com esse sentimento.

O ciúme abre, assim, como diz Lacan, um leque de condições em diferentes estruturas, que vão desde as situações mais comuns da vida amorosa até o campo dos delírios passionais, das condições psicóticas. Nos desenvolvimentos da psicanálise contemporânea, estuda-se cada vez mais a maneira como se estruturam os vínculos intersubjetivos nos grupos familiares e sociais. As formações e os processos psiquicos que se estabelecem no encontro do sujeito com o outro instalam alianças e pactos de natureza inconsciente, que passam a lançar luz, no estudo clínico, a fatos obscuros que se repetem de geração em geração.

É importante que o casal que passa por essa dificuldade converse bastante sobre o assunto e procure, juntos, encontrar alternativas que permitam que o amor e a confiança cresçam cada vez mais.


Alexandre Yamazaki
Filósofo e Psicanalista